Dados estruturados são um trecho de código, quase sempre no formato JSON-LD e com o vocabulário do schema.org, que descreve de forma explícita o que uma página mostra: a empresa, um produto, um evento, um artigo. Para os recursos de IA da busca do Google, o AI Overviews e o Modo IA, o próprio Google diz que os dados estruturados não são necessários e que não existe marcação especial a acrescentar. Eles continuam valendo para o que sempre fizeram: habilitar resultados ricos na busca comum e ajudar o Google a identificar a sua empresa.
Em 2026 o Google reforçou essa posição num guia dedicado à busca com IA, publicado em maio e atualizado em julho, e o resultado rico de perguntas frequentes (FAQ) deixou de aparecer na busca em 7 de maio. Nas outras plataformas a conversa é outra: um texto da Microsoft diz que o schema ajuda o Copilot a entender a página, e a OpenAI não menciona o tema nas páginas que consultamos.
Nas próximas seções estão o que cada plataforma diz, com a fonte, para que o schema serve hoje e por onde começar. Tudo sem tratá-lo como atalho do AEO (otimização para mecanismos de resposta) e do GEO (otimização para IA generativa), os nomes que o mercado deu ao trabalho de ser encontrado e citado pelas IAs.
Neste artigo
O que são dados estruturados e o que é entidade
Dados estruturados são uma descrição da página escrita para máquinas. O leitor não vê esse código, mas o buscador lê e encontra, organizado em campos, o que a página já mostra em texto: o nome da empresa, o preço de um produto, a data de um evento. O Google chama isso de pistas explícitas sobre o significado de uma página e aceita três formatos, entre os quais recomenda o JSON-LD, um bloco de código separado do texto.
O schema.org é o vocabulário comum dessas descrições. Ele define tipos, como Organization (organização), LocalBusiness (empresa local), Product (produto), Event (evento) e Article (artigo), e as propriedades de cada um. Por isso, no mercado, “schema” e “dados estruturados” viraram quase sinônimos.
É aí que entra a entidade, palavra que aparece em todo conteúdo sobre busca com IA. Entidade é a sua empresa tratada como uma coisa só, identificável: um nome, um logo, um site, um endereço e os perfis oficiais, que o buscador consegue ligar entre si e separar de outra empresa com nome parecido. A marcação de organização serve para isso. Um exemplo, com dados fictícios, de como ela fica na página inicial:
<script type="application/ld+json">
{
"@context": "https://schema.org",
"@type": "Organization",
"name": "Nome da Sua Empresa",
"url": "https://www.seusite.com.br/",
"logo": "https://www.seusite.com.br/logo.png",
"sameAs": [
"https://www.linkedin.com/company/sua-empresa",
"https://www.instagram.com/suaempresa"
]
}
</script>
O campo sameAs lista as páginas da empresa em outros sites, como os perfis nas redes sociais, e é ele que liga o site aos perfis oficiais.

O que o Google diz sobre dados estruturados e IA
A resposta está no guia do Google para os recursos de IA generativa da Pesquisa, atualizado em julho de 2026, na lista do que não é preciso fazer:
“Eles não são necessários para a pesquisa de IA generativa, e não há uma marcação especial do schema.org que você precise adicionar.”
A página Recursos de IA e seu site repete a ideia: não há requisito extra para aparecer no AI Overviews ou no Modo IA, nem schema especial a acrescentar. O que o Google pede é que a página esteja indexada e possa aparecer com trecho na busca comum. O guia de IA generativa também diz que não é preciso criar arquivos de texto para IA, como o llms.txt, nem quebrar o conteúdo em pedaços pequenos para a IA entender.
Isso não quer dizer que o Google mandou tirar o schema do site. O próprio guia recomenda continuar usando dados estruturados como parte do SEO, pelos resultados ricos, e resume tudo numa ideia que explicamos no guia de SEO para IA: do ponto de vista da Pesquisa Google, otimizar para a busca com IA ainda é SEO. Para saber se o site aparece nesses recursos, o caminho é o relatório de IA generativa do Search Console, que mostramos no post sobre o Modo IA do Google.
Para que o schema ainda serve no Google
O primeiro uso são os resultados ricos, aqueles com estrelas de avaliação, preço, data de evento ou trilha de navegação em vez de só título e descrição. A galeria oficial do Google lista hoje recursos como artigo, trilha de navegação, evento, empresa local, organização, produto, avaliação, receita, vaga de emprego e vídeo, cada um com a marcação que o habilita. O Google avisa que não garante que o resultado rico apareça, mesmo com o código certo.
O segundo uso é identificar a empresa. Segundo a documentação de organização, atualizada em setembro de 2026, essa marcação ajuda o Google a entender os detalhes administrativos da organização e a diferenciá-la nos resultados, e algumas propriedades, como o logo, podem influenciar o que aparece na busca. O lugar indicado é a página inicial ou a página Sobre, sem necessidade de repetir em todas as páginas.
Para quem tem ponto físico, a marcação de empresa local pode ajudar a página a aparecer num resultado próprio, com horário, departamentos e avaliações. Ela não substitui o Perfil da Empresa no Google, que a página de recursos de IA recomenda manter atualizado. O Perfil também costuma estar entre as primeiras fontes a corrigir quando uma IA erra sobre o negócio, como mostramos no post sobre a IA falando errado da sua empresa.
Nos posts de blog, a marcação de artigo pode ajudar o Google a mostrar melhor o título, a imagem e a data, e não tem propriedade obrigatória: o autor e as datas de publicação e de atualização estão entre as recomendadas.
FAQ com schema ainda vale a pena?
No Google, o resultado rico de perguntas frequentes acabou. O histórico de atualizações do Search Central registra, em 8 de maio de 2026, o aviso de que o recurso deixou de aparecer na busca a partir de 7 de maio, e, em 15 de junho, a remoção da documentação do recurso. Marcar perguntas e respostas com schema não faz mais a página ganhar aquele bloco expansível no Google.
Isso não transforma a seção de perguntas em erro. Uma lista de perguntas com respostas diretas ajuda quem lê, e o Bing escreveu, ao lançar o relatório de desempenho em IA do Webmaster Tools, que títulos claros, tabelas e seções de perguntas frequentes ajudam os sistemas de IA a encontrar e citar a informação com precisão. Por isso, neste blog, cada post mantém a seção de perguntas com marcação: é uma escolha editorial para o leitor e para as outras plataformas, e não um pedido do Google.
A regra que vale para qualquer FAQ marcado é a das diretrizes gerais do Google: a marcação precisa descrever o que está visível na página. Pergunta que só existe no código, para o leitor não ver, é marcação enganosa.
E no Bing, no Copilot e no ChatGPT?
Aqui as plataformas dizem coisas diferentes. Um gerente de produto do Bing explicou no blog da Microsoft Advertising, em outubro de 2025, que o Copilot divide a página em partes para avaliar o que usar na resposta, e que schema marcando produto, avaliação, perguntas frequentes ou evento ajuda nessa leitura, com o aviso de que nada garante que o conteúdo seja escolhido. Entre as fontes oficiais que consultamos, é o texto mais claro a favor do schema, mas vem de um blog, não da documentação técnica do Bing.
A OpenAI não fala em dados estruturados nas páginas que consultamos, a página dos robôs da OpenAI e a ajuda da busca do ChatGPT. O que ela documenta para aparecer nas respostas com busca é liberar o robô de busca da OpenAI, o OAI-SearchBot, e garantir que a hospedagem aceite esse robô, assunto do post sobre robots.txt para IA. Se o schema pesa ou não na escolha do ChatGPT, ninguém de fora sabe, e quem afirma uma coisa ou outra está supondo.
O resumo prático é que o mesmo código atende a mais de um lugar. A marcação bem feita deixa a página elegível a resultados ricos no Google e, segundo a Microsoft, ajuda o Copilot, sem ser exigida pela IA do Google nem prometer lugar em resposta nenhuma.

Por onde começar: as marcações que servem a quase toda empresa
A ordem abaixo vale para a maioria dos sites de empresa, e cada item tem motivo documentado:
- Organization na página inicial ou na página Sobre, com nome, site, logo e sameAs apontando para os perfis oficiais. É a marcação que ajuda o Google a identificar a empresa e a diferenciá-la de outras.
- Article nos posts do blog, com autor e datas de publicação e de atualização, que ajudam o Google a mostrar título, imagem e data.
- A marcação do seu negócio, quando ela existir na galeria do Google: LocalBusiness para quem atende em endereço físico, Product para quem vende online, Event para quem faz eventos.
- Breadcrumb (trilha de navegação), se o site tem níveis, como categoria e subcategoria.
Depois de publicar, teste. O Teste de pesquisa aprimorada do Google aceita o endereço da página ou o código colado e mostra quais resultados ricos a marcação habilita e se há erro. O validador do schema.org confere qualquer tipo do vocabulário, inclusive os que o Google não usa. E, com o site no ar, os relatórios de pesquisa aprimorada do Search Console mostram, com base numa amostra, quantos itens válidos e inválidos o Google encontrou e o que corrigir.
No WordPress, os plugins de SEO costumam gerar a marcação básica de artigo e de organização a partir das configurações do site. Vale rodar o teste mesmo assim, para ver o que eles estão publicando de fato e se os dados batem com o que a página mostra.
Erros que fazem o schema atrapalhar
- Marcar o que o leitor não vê. A marcação precisa descrever o conteúdo visível da página, e o Google trata o contrário como violação das diretrizes.
- Criar FAQ só para ter marcação. Pergunta sem utilidade para o leitor não ganha nada, e desde maio de 2026 nem o resultado rico de FAQ existe mais no Google.
- Deixar dados diferentes em cada lugar. Endereço, telefone e horário no schema precisam ser os mesmos do site, do Perfil da Empresa no Google e dos perfis oficiais, porque é a mesma empresa descrita em lugares diferentes, e dado desencontrado tende a virar resposta desencontrada.
- Achar que marcação irregular derruba o ranking. Segundo o Google, uma ação manual por marcação que viola as diretrizes tira a página dos resultados ricos, mas não afeta a posição dela na busca comum.
- Tratar schema como exigência do Google para IA. O Google diz que não é. Desconfie de ferramenta ou consultoria que venda o contrário; esse é um dos critérios do nosso guia de ferramentas de AEO e GEO.
Perguntas frequentes
Preciso de schema para aparecer no AI Overviews e no Modo IA?
Não. O guia do Google para os recursos de IA generativa diz que dados estruturados não são necessários para a busca com IA e que não existe marcação especial do schema.org a acrescentar. O que o Google pede é página indexada e apta a aparecer com trecho na busca. O schema continua útil para resultados ricos e para identificar a empresa.
Schema ajuda o ChatGPT a citar a minha empresa?
A OpenAI não diz isso nas páginas que consultamos sobre os robôs e sobre a busca do ChatGPT. O que ela documenta para aparecer nas respostas com busca é liberar o robô de busca da OpenAI, o OAI-SearchBot, e manter o site acessível. Quem garante que o schema faz o ChatGPT citar você está afirmando o que a OpenAI não afirma.
Ainda vale a pena ter FAQ com schema?
Para o Google, o resultado rico de FAQ deixou de aparecer em maio de 2026, então a marcação não muda mais a aparência da página na busca. A seção de perguntas continua útil para o leitor, e a Microsoft cita perguntas frequentes entre os formatos que ajudam o Copilot. Se mantiver, marque só perguntas que estão visíveis na página.
Qual schema a minha empresa precisa primeiro?
Para a maioria das empresas, Organization na página inicial ou na página Sobre, com nome, site, logo e os perfis oficiais no campo sameAs. Depois vêm Article nos posts do blog e a marcação do seu tipo de negócio, como LocalBusiness para quem tem ponto físico ou Product para quem vende online.
Como sei se o meu schema está certo?
Cole o endereço da página no Teste de pesquisa aprimorada do Google, que mostra os resultados ricos habilitados e os erros, e use o validador do schema.org para os tipos que o Google não cobre. Com o site no ar, os relatórios de pesquisa aprimorada do Search Console mostram itens válidos e inválidos ao longo do tempo.
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