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Share of voice nas IAs: usado, citado e recomendado não são iguais

Esferas em órbita, uma maior e destacada, ilustrando o share of voice nas IAs e a fatia de cada marca nas respostas.

Share of voice nas IAs é a fatia das respostas sobre o seu mercado em que a sua marca aparece, comparada com a dos concorrentes, quando alguém pergunta ao ChatGPT, ao Gemini, ao Copilot ou à busca do Google com IA. A conta parece simples, mas junta três coisas que vale separar antes de medir: o seu conteúdo ser usado para montar a resposta, o seu site ser citado com link como fonte e a sua marca ser recomendada pelo nome.

O Search Console e o Bing Webmaster Tools já medem parte disso, enquanto a recomendação pelo nome ainda se mede perguntando às IAs com método e olhando a tendência, porque a mesma pergunta raramente recebe a mesma resposta duas vezes.

O que é share of voice (e o que muda nas IAs)

No marketing, share of voice é a fatia de presença de uma marca num canal comparada com a dos concorrentes. Nas IAs a ideia continua valendo, mas a resposta não é uma lista de links em ordem, e sim um texto que pode recomendar marcas pelo nome, mostrar sites como fonte e se apoiar em páginas que nem aparecem. É a métrica que acompanha, do lado da marca, o trabalho que o mercado chama de AEO (otimização para mecanismos de resposta) e GEO (otimização para IA generativa): mostra onde você aparece, mas não explica por quê.

Usado, citado e recomendado: três formas de aparecer

A separação não é invenção do mercado. Ao descrever o controle de IA generativa do Search Console, o próprio Google trata como coisas distintas o site aparecer como link e o conteúdo ajudar a embasar as respostas.

Ser usado: o seu conteúdo embasa a resposta

É quando a IA lê a sua página e aproveita a informação para montar o texto, sem mostrar o seu link nem dizer o seu nome. O seu trabalho informa a resposta, mas o leitor não fica sabendo de onde veio, e nenhum dos relatórios oficiais citados neste post mostra esse uso separado da citação.

É quando a resposta mostra um link para o seu site como fonte, a forma que as ferramentas oficiais já contam e a que pode trazer visita direta. Uma análise da Seer Interactive, agência de marketing digital, viu clique orgânico de 2,07% para marcas citadas no AI Overviews, contra 0,94% das não citadas, em buscas informativas, sem afirmar que uma coisa causa a outra.

Ser recomendado: a sua marca aparece pelo nome

É quando alguém pergunta “qual a melhor escola de inglês online para adultos?” e a resposta traz o nome da sua empresa entre as opções, com ou sem link. É o que o cliente lê e lembra, a forma mais próxima da ideia original de share of voice, e a que os relatórios do Google e do Bing não contam, porque eles medem links e citações, e não o nome da marca no texto.

Num exemplo fictício, a resposta recomenda a Marca Alfa pelo nome, mostra como fonte um guia da Marca Beta e explica a aula de conversação com base num texto da Marca Gama, sem citar nem linkar a Gama. Só a Alfa fica na cabeça do leitor, só a Beta pode ganhar uma visita e a Gama nem fica sabendo que ajudou.

Forma de aparecerO que acontece na respostaOnde dá para ver hoje
UsadoA IA aproveita o seu conteúdo, sem link nem nomeEm nenhum dos relatórios oficiais citados aqui
CitadoUm link para o seu site aparece como fonteSearch Console, Bing Webmaster Tools e, para visitas vindas do ChatGPT, o Google Analytics
RecomendadoA marca aparece pelo nome no textoSó perguntando às IAs, à mão ou com ferramenta
Três formas de aparecer numa resposta de IA, com marcas fictícias: conteúdo usado, site citado com link e marca recomendada.

O que o Search Console e o Bing Webmaster Tools já mostram

No Google, o relatório de performance da IA generativa, aberto a todos os sites desde 31 de agosto de 2026, conta quantas vezes links para o seu site foram mostrados no AI Overviews e no Modo IA. É uma medida só do seu lado, sem concorrentes, e o passo a passo está no post sobre o Modo IA do Google.

No Bing, o relatório AI Performance do Bing Webmaster Tools conta as citações do site no Copilot, nos resumos com IA do Bing e em parceiros selecionados, e em 16 de junho de 2026 ganhou a fatia de citações, a porcentagem das citações que foram para o seu site entre todas as citações mostradas para a mesma busca. É o mais perto de um share of voice oficial, com a ressalva da própria Microsoft de que a fatia não mostra quais são os outros sites e foi pensada como métrica de observação, e não como placar contra concorrentes.

No ChatGPT, a OpenAI acrescenta utm_source=chatgpt.com aos links que manda (FAQ para editores), o que permite ver essas visitas no Google Analytics, como mostramos no post sobre como aparecer no ChatGPT. As ferramentas oficiais medem, portanto, o citado, e deixam de fora o recomendado, que é o que o cliente lê.

Como medir o share of voice nas IAs à mão

Basta uma planilha, desde que o método não mude entre uma medição e outra, porque é a repetição que transforma respostas soltas em tendência.

  1. Monte uma lista fixa de perguntas. Escreva de 10 a 20 perguntas que o seu cliente faria antes de comprar, sem o nome da sua marca, misturando categoria, problema, comparação e, se fizer sentido, cidade, e não mude a redação depois.
  2. Pergunte em mais de uma IA. Use pelo menos duas das que o seu público usa, como ChatGPT, Gemini, Copilot ou o Modo IA do Google, sempre numa conversa nova e sem memória ou personalização ligadas, para a resposta não carregar o seu histórico.
  3. Rode cada pergunta mais de uma vez. Três rodadas por pergunta em cada IA já mostram quanto a resposta varia, e a rotina inteira se repete todo mês.
  4. Anote o que apareceu. Para cada resposta, registre as marcas citadas pelo nome e a ordem delas, se veio link e para qual site, e o tom (recomenda, só menciona ou faz ressalva).
  5. Faça as contas. A taxa de presença é o número de respostas com a sua marca dividido pelo total, e o share of voice é o número de menções à sua marca dividido pelo total de menções a todas as marcas. Com 15 perguntas, três rodadas e duas IAs, são 90 respostas, e aparecer em 18 delas dá presença de 20%.
  6. Deixe a posição por último. Anote a ordem, mas dê mais peso a quantas vezes a marca aparece, porque a ordem é o que mais muda de uma resposta para outra.
Planilha para medir o share of voice nas IAs à mão, com perguntas fixas, IA consultada, marcas citadas, links e tom.

Se preferir não montar a planilha, a SpottAI verifica este sinal automaticamente na análise de presença da marca do Relatório One-Spott (R$ 49,90 por relatório, pagamento único): o Brand Check pergunta sobre a sua marca ao Gemini e ao ChatGPT e mostra se ela é citada, em que contexto, com qual sentimento e como se compara aos concorrentes, com o share of voice e um battlemap competitivo do setor. O limite é o de qualquer leitura avulsa, uma fotografia do momento que ganha sentido quando repetida, enquanto ferramentas por assinatura rodam as perguntas todo dia em mais IAs, como mostramos na comparação de ferramentas de AEO e GEO.

Por que o número oscila (e por que isso não é defeito)

A mesma pergunta feita duas vezes à mesma IA pode trazer marcas diferentes, em ordem diferente, e quem acompanha o share of voice nas IAs precisa contar com isso. Num levantamento de janeiro de 2026 da SparkToro com a Gumshoe, empresa que vende monitoramento de visibilidade em IA, voluntários rodaram as mesmas perguntas quase 3 mil vezes no ChatGPT, no Claude e na IA do Google, e a chance de a mesma lista de marcas se repetir ficou abaixo de 1 em 100, enquanto a mesma ordem apareceu mais ou menos uma vez a cada mil.

A conclusão dos autores serve para quem mede: conta mais a frequência com que a marca aparece em muitas perguntas repetidas do que a posição numa resposta isolada, e o Bing diz algo parecido quando avisa que as citações mudam com a evolução dos modelos, o conteúdo concorrente e o que as pessoas procuram. Por isso vale comparar sempre a mesma lista, olhar a média de alguns meses e desconfiar de promessa de posição garantida, porque ninguém controla o que o modelo responde.

O que fazer com o resultado

Nas perguntas em que a sua marca não aparece, veja quais sites as IAs mostram como fonte, porque eles indicam onde o seu mercado é discutido, e confira se o seu site responde àquela pergunta com clareza. Se a marca aparece com informação errada, o caminho está no post sobre o que fazer quando a IA fala errado da sua empresa.

Para ser lembrado pelo nome, o caminho legítimo é aparecer onde o seu cliente já se informa: dar entrevista e dado próprio para a imprensa, ter case publicado por parceiros, pedir avaliação e depoimento a clientes reais e participar de comunidades do setor com a identidade da empresa.

O guia do Google para recursos de IA generativa lembra que essas respostas podem mostrar o que se diz em blogs, vídeos e fóruns, e avisa que buscar “menções” não autênticas na web não é tão útil quanto parece, porque os sistemas de classificação se concentram em conteúdo de qualidade e outros sistemas bloqueiam spam. Menção comprada ou comentário falso é o atalho que esse alerta descreve.

Há indícios de que as menções andam junto com a presença nas respostas. Num levantamento da Ahrefs, empresa que vende ferramentas de SEO e de monitoramento de marca em IA, as menções à marca na web tiveram correlação de 0,664 com a visibilidade de 75 mil marcas no AI Overviews, contra 0,218 dos backlinks (links de outros sites para o seu), e a própria Ahrefs avisa que correlação não é causa.

Perguntas frequentes

O que é share of voice nas IAs?

É a fatia das respostas das IAs sobre o seu mercado em que a sua marca aparece, comparada com a dos concorrentes. Na prática, você faz as mesmas perguntas a mais de uma IA, várias vezes, anota quem aparece e divide as menções à sua marca pelo total de menções a todas as marcas.

Qual a diferença entre ser citado e ser recomendado por uma IA?

Ser citado é ter um link para o seu site mostrado como fonte da resposta, o que pode trazer visita e aparece em relatórios como o do Search Console. Ser recomendado é ter o nome da marca no texto da resposta, entre as opções sugeridas, o que o cliente lê mesmo sem clicar.

O Search Console mostra o meu share of voice?

Não. O relatório de performance da IA generativa mostra só as impressões do seu próprio site no AI Overviews e no Modo IA, sem concorrentes. O mais perto de uma fatia oficial é a fatia de citações do Bing Webmaster Tools, que compara o seu site com o total de citações de cada busca.

De quanto em quanto tempo devo medir?

Uma vez por mês é um bom ponto de partida, sempre com a mesma lista de perguntas e as mesmas IAs, rodando cada pergunta mais de uma vez. Como as respostas variam muito entre rodadas, vale olhar a média de alguns meses antes de concluir que a marca subiu ou caiu.

Vale a pena comprar menções para aparecer mais nas IAs?

Não. O guia do Google para recursos de IA generativa avisa que buscar menções não autênticas não é tão útil quanto parece, porque os sistemas de classificação se concentram em conteúdo de qualidade e outros bloqueiam spam. O caminho que se sustenta é ser mencionado de verdade por imprensa, parceiros, clientes e comunidades.


Antes de medir a presença da marca, vale saber como as IAs leem o seu site. Faça sua análise grátis